Le Shaná Habaá BeYerushalaim

Família - literalmente - Hanoar Hatzioni, a poucos minutos do fim do Shnat. 11/12/2011, às 6:45h.

“No ano que vem, em Jerusalém”. Este lema, que acompanhou o Povo Judeu por séculos, é relembrado sempre ao final do jantar festivo de Pessach. Agora que o Shnat Hachshará terminou, me parece muito apropriado entoá-lo.

É difícil dizer, porém é preciso acreditar. O Shnat acabou. O melhor ano da minha vida – e da de muitos de meus amigos – é passado. No entanto, há de se estar feliz. Tristemente feliz, porque tudo aconteceu de tal forma que não poderíamos imaginar melhor. Parece-me injusto, após tudo o que vivi, caracterizar esta experiência com qualquer adjetivo que exista. Qualquer descrição será injusta, incompleta, insuficiente.

Foram 291 dias de programa, e mais dois livres, em Eretz Israel. Passamos por Machon LeMadrichim, Marvá, Tel Aviv, Deganya e diversos seminários. Conhecemos pessoas que marcaram nossas vidas para sempre. Fizemos jus ao nome “Família Hanoar Hatzioni”. Abrimos a mente. Aprendemos a viver com a rotina e com o imprevisto.

O Shnat foi a única oportunidade nas nossas vidas em que, mesmo quando erramos, tudo saiu perfeito. Foi a única vez em que nos sentimos em casa estando a milhares de quilômetros dos nossos lares.

Mais do que sionismo e judaísmo, este ano forjou em nós autoconfiança e independência. Este tempo em Israel nos permitiu uma vista aérea de nossas vidas.

Sentirei falta das pequenas coisas que este formidável país me ofereceu. Escutar o idioma do meu povo a todo o momento e poder lê-lo nos jornais. E nestes, encontrar notícias que me atingem de maneira inevitável. Enxergar figuras como Ytzhak Ben-Tzvi nas cédulas do dinheiro, e não uma onça-pintada. Ter o judaísmo como norma, e ver os feriados nacionais serem Sucot ou Pessach (mesmo já estando em Jerusalém). Ver a religião em sua todas as suas formas. Comer kasher ainda que por acaso.

Este foi um ano que nos permitiu, muitas vezes, que puséssemos nossas próprias regras. Em outros momentos, eliminou nossos nomes e nos impôs disciplina militar. Possibilitou que fossemos crianças: não agasalhar-se antes de sair, brincar até tarde ou acordar sem saber aonde íamos dormir. Obrigou-nos a ser adultos: tomar consciência de nosso papel enquanto jovens judeus e sionistas, formar opiniões sobre a justiça social e a paz com nossos vizinhos e administrar as contas de uma casa por mais de um mês.

O Shnat foi um ano em que demos sentido às nossas vidas. Descobrimos o que é ver uma nação unida por um soldado, e não por uma bola. Vimos nossa ideologia ser colocada contra a parede. Entendemos o que e porque educamos em nosso movimento juvenil. Sentimo-nos pertencentes ao solo sobre o qual caminhamos, na constante tentativa de decifrar os mistérios que o envolvem. Tornamo-nos dignos de chamar Israel pela forma simples e carinhosa usada por seus habitantes: “Haaretz” (“A Terra”).

Foi um ano de contrastes. Sentimos saudades de tudo e de nada ao mesmo tempo. Percebemos como o dia pode durar mais de vinte e quatro horas e passar em menos de cinco minutos. Entendemos que é possível ter como irmãos pessoas que não são filhos de nossos pais. Mudamos de opinião a cada minuto, tendo sempre certeza de nossas ideias.

O programa foi um sonho que vivemos de olhos bem abertos. Ensinou-nos o significado das palavras “desafio” e “maturidade”. Promoveu um intercâmbio cultural fervente e enriquecedor. Foi uma escola de valores; de companheirismo, de lealdade, de vida.

Após todas estas palavras, você pode estar se perguntando: “e qual é a conclusão de tudo isso?”. Este ano tão intenso nos levou aos recônditos de nossa existência e, assim, nos proporcionou atingir o objetivo primordial de todos nós. Vai muito além de visões de mundo, por mais que as inclua. Aqui, no Shnat, nos alcançamos a felicidade. Verdadeira, contínua e fundamentada felicidade. Agora, o nosso teste será mantê-la viva e irradiá-la para todos aqueles que reencontraremos em breve.

LeShaná Habaá BeYerushalaim. Que a realização deste lema possa ser um objetivo comum, um ideal de felicidade eterno e uma esperança coletiva.

***

Este não é o último texto do blog. Pretendo escrever no mínimo mais um após a volta ao Brasil.

Na seção “Música Israelense”, você pode encontrar a canção “Kol Galgal”, escutada em momentos fundamentais do seminário de encerramento do Shnat do Hanoar Hatzioni, realizado em Jerusalém (no presente ano).

Sikum do Shnat do Netzah. Kotel Hama'aravi, 08/12/2011.

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One Response to Le Shaná Habaá BeYerushalaim

  1. Nathan Suchar diz:

    “…entendimos que es posible tener como hermanos personas que no son hijos de nuestros padres…”
    לנצח אחי

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