Os números de 2011

02/01/2012

Aqui está um excerto:

Um comboio do metropolitano de Nova Iorque transporta 1.200 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 7.500 vezes em 2011. Se fosse um comboio, eram precisas 6 viagens para que toda gente o visitasse.

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Sof HaMaslul

21/12/2011

Último dia em Jerusalém

O ciclo chegou ao fim. Escrevo este texto na mesma escrivaninha em que redigi o último antes de sair para o Shnat. Com a mesma paisagem paulistana que se via através da minha janela, dez meses atrás. Sentindo os mesmos aromas e o mesmo calor do verão.

Entretanto, eu não sou o mesmo. Isto é, possuo o mesmo RG e idêntica cor dos olhos, porém estou diferente. Este ano mudou a minha forma de agir e pensar, bem como a de todos os outros Shnateiros.

A primeira semana no Brasil foi um pouco estranha. É fantástico poder reencontrar a família e amigos. No entanto, é muito difícil evitar comparações entre Israel e o Brasil. Entre as chanukiót e as luzes de Natal ou em relação à qualidade do transporte público.

Aos poucos, a rotina vai se transformando em recordação e os momentos vividos, em fotografias. O esforço para manter o contato com os amigos do Shnat se faz mais intenso, assim como aquele para manter aceso o significativo sentimento que desenvolvemos por nossa terra e nosso povo.

2011 termina. Com ele, também se vão capítulos fundamentais da vida de cada um dos Shnateiros. Agora, a nossa missão é levar todo o aprendizado e emoções adiante, trabalhar pela tnuá e dizer às novas gerações: “Venham fazer parte desta história!”.

O “Diários” fica por aqui. Não sei ainda se lançarei outro blog, porém continuarei escrevendo de alguma maneira.

Gostaria de agradecer a todos os leitores que se interessaram e embarcaram junto com os Shnateiros na aventura que foi o ano de 2011. Espero que tenham gostado e podido sentir um pouco do que é viver um ano na nossa Terra Prometida.

Obrigado!

Chanuká Sameach!

IC

Último por-do-sol em Tel Aviv


Le Shaná Habaá BeYerushalaim

12/12/2011

Família - literalmente - Hanoar Hatzioni, a poucos minutos do fim do Shnat. 11/12/2011, às 6:45h.

“No ano que vem, em Jerusalém”. Este lema, que acompanhou o Povo Judeu por séculos, é relembrado sempre ao final do jantar festivo de Pessach. Agora que o Shnat Hachshará terminou, me parece muito apropriado entoá-lo.

É difícil dizer, porém é preciso acreditar. O Shnat acabou. O melhor ano da minha vida – e da de muitos de meus amigos – é passado. No entanto, há de se estar feliz. Tristemente feliz, porque tudo aconteceu de tal forma que não poderíamos imaginar melhor. Parece-me injusto, após tudo o que vivi, caracterizar esta experiência com qualquer adjetivo que exista. Qualquer descrição será injusta, incompleta, insuficiente.

Foram 291 dias de programa, e mais dois livres, em Eretz Israel. Passamos por Machon LeMadrichim, Marvá, Tel Aviv, Deganya e diversos seminários. Conhecemos pessoas que marcaram nossas vidas para sempre. Fizemos jus ao nome “Família Hanoar Hatzioni”. Abrimos a mente. Aprendemos a viver com a rotina e com o imprevisto.

O Shnat foi a única oportunidade nas nossas vidas em que, mesmo quando erramos, tudo saiu perfeito. Foi a única vez em que nos sentimos em casa estando a milhares de quilômetros dos nossos lares.

Mais do que sionismo e judaísmo, este ano forjou em nós autoconfiança e independência. Este tempo em Israel nos permitiu uma vista aérea de nossas vidas.

Sentirei falta das pequenas coisas que este formidável país me ofereceu. Escutar o idioma do meu povo a todo o momento e poder lê-lo nos jornais. E nestes, encontrar notícias que me atingem de maneira inevitável. Enxergar figuras como Ytzhak Ben-Tzvi nas cédulas do dinheiro, e não uma onça-pintada. Ter o judaísmo como norma, e ver os feriados nacionais serem Sucot ou Pessach (mesmo já estando em Jerusalém). Ver a religião em sua todas as suas formas. Comer kasher ainda que por acaso.

Este foi um ano que nos permitiu, muitas vezes, que puséssemos nossas próprias regras. Em outros momentos, eliminou nossos nomes e nos impôs disciplina militar. Possibilitou que fossemos crianças: não agasalhar-se antes de sair, brincar até tarde ou acordar sem saber aonde íamos dormir. Obrigou-nos a ser adultos: tomar consciência de nosso papel enquanto jovens judeus e sionistas, formar opiniões sobre a justiça social e a paz com nossos vizinhos e administrar as contas de uma casa por mais de um mês.

O Shnat foi um ano em que demos sentido às nossas vidas. Descobrimos o que é ver uma nação unida por um soldado, e não por uma bola. Vimos nossa ideologia ser colocada contra a parede. Entendemos o que e porque educamos em nosso movimento juvenil. Sentimo-nos pertencentes ao solo sobre o qual caminhamos, na constante tentativa de decifrar os mistérios que o envolvem. Tornamo-nos dignos de chamar Israel pela forma simples e carinhosa usada por seus habitantes: “Haaretz” (“A Terra”).

Foi um ano de contrastes. Sentimos saudades de tudo e de nada ao mesmo tempo. Percebemos como o dia pode durar mais de vinte e quatro horas e passar em menos de cinco minutos. Entendemos que é possível ter como irmãos pessoas que não são filhos de nossos pais. Mudamos de opinião a cada minuto, tendo sempre certeza de nossas ideias.

O programa foi um sonho que vivemos de olhos bem abertos. Ensinou-nos o significado das palavras “desafio” e “maturidade”. Promoveu um intercâmbio cultural fervente e enriquecedor. Foi uma escola de valores; de companheirismo, de lealdade, de vida.

Após todas estas palavras, você pode estar se perguntando: “e qual é a conclusão de tudo isso?”. Este ano tão intenso nos levou aos recônditos de nossa existência e, assim, nos proporcionou atingir o objetivo primordial de todos nós. Vai muito além de visões de mundo, por mais que as inclua. Aqui, no Shnat, nos alcançamos a felicidade. Verdadeira, contínua e fundamentada felicidade. Agora, o nosso teste será mantê-la viva e irradiá-la para todos aqueles que reencontraremos em breve.

LeShaná Habaá BeYerushalaim. Que a realização deste lema possa ser um objetivo comum, um ideal de felicidade eterno e uma esperança coletiva.

***

Este não é o último texto do blog. Pretendo escrever no mínimo mais um após a volta ao Brasil.

Na seção “Música Israelense”, você pode encontrar a canção “Kol Galgal”, escutada em momentos fundamentais do seminário de encerramento do Shnat do Hanoar Hatzioni, realizado em Jerusalém (no presente ano).

Sikum do Shnat do Netzah. Kotel Hama'aravi, 08/12/2011.


Novo vídeo do Shnat

06/12/2011

Apresentado na Messibá 2011 do Netzah!

Universidade de Haifa. 04/12/2011

Na sede da agência judaica, onde já funcionou o Poder Executivo.


Começa o Shnat!

05/12/2011

Comemoração pelos 64 anos da Resolução 181 da ONU. Jerusalém, 29/11/2011.

Não, você não errou de mês no blog. Hoje é dia 05 de dezembro de 2011, e o Shnat Hachshará deste ano será concluído em uma semana.

Sim, este texto é uma última resposta para o post “Quando começa o Shnat?”, do dia 28 de fevereiro, escrito há mais de nove meses.

O melhor ano da vida dos Shnateiros está a 2% do seu final, o que nos deixa um pouco atordoados. É exatamente como viver os primeiros segundos da manhã, após acordar de um sonho. Ainda não se pode distinguir com clareza o que é realidade ou o que foi apenas ilusão.

O fato é que hoje, às vésperas da saída de Deganya rumo a Jerusalém, podemos dizer pela última vez que “o Shnat começa agora!”, analogamente a um momento singular do calendário judaico, os Asseret Yemei Teshuvá. Este período, que começa em Rosh Hashaná e termina em Yom Kipur, compreende uma semana completa entre as duas festividades. Acredita-se que cada dia desta semana, se vivido de forma plena e correta, pode corrigir todos os dias do ano anterior. Assim, este é o lema para os dias que faltam: dar aos 2% o valor de 100%, sem desperdiçar um segundo sequer dos poucos que nos quedam na Terra Prometida.

Este ainda não é um texto geral sobre o Shnat. Isto será feito após o encerramento oficial, do dia 11, uma vez que cada momento aqui traz novas surpresas. Quando eu escrever o próximo post, já serei um ex-Shnateiro, ou melhor, um Boguer Shnat Hachshará.

Nos últimos dias, terminamos o nosso curso de hebraico com a atenciosa Morá Hava. Seguindo a metodologia utilizada em grande parte das aulas, fomos estudar o idioma fora da sala de aula, fomos acompanhar o processo de ordenha, conhecer a fábrica de azeite de Deganya e visitar o cemitério local, que reúne vários fundadores do kibutz. No último encontro, nos convidou para uma mesa de doces em sua acolhedora casa.

A última semana também foi marcada por despedidas de amigos do Peru e Costa Rica, que anteciparam o regresso para casa por motivos pessoais. Foi estranho despedir-se desses amigos, já que se foram antes de todos. A sensação de ver pessoas com as quais compartilhamos um ano inteiro indo embora, sendo arrancadas de perto de nós em um breve instante, é simplesmente terrível.

Mais feliz do que estes acontecimentos foi o passeio que fizemos com o Hanoar no domingo. Viajamos até Haifa para conhecer a universidade da cidade, que se destaca pelo multiculturalismo entre os estudantes. Em seguida, visitamos o renomado Instituto Technion, que oferece cursos superiores na área das Ciências Exatas. A modernidade das instituições e a vibrante vida estudantil impressionaram aos jovens universitários brasileiros do Shnat.

Na segunda-feira, a Mazkirut Olamit do Hanoar Hatzioni veio a Deganya para apreciar a exposição dos projetos feitos por cada delegação para a respectiva tnuá. Além disso, almoçamos churrasco e participamos de um desafio de futebol contra os coordenadores do Movimento.

Um evento importante ao qual comparecemos foi a comemoração dos 64 anos da Partilha da Palestina pela ONU. Muitas tnuot estavam presentes na sede da Agência Judaica, onde foi simulada a cerimônia ocorrida ali mesmo, em 1947, após a aprovação da Resolução 181 da ONU. Lá, encontramos Nathan Sharansky, presidente da Agência, que recordou com carinho sua visita ao Netzah, feita neste ano.

Em dois dias, voltaremos para Jerusalém, e nos hospedaremos na boa e velha Kiryat Moriah, num déjà vu bem adequado para este final de Shnat. E assim começa o Shnat, ou, pelo menos, a sua reta final. Junto com ela, o desafio de viver a melhor semana de nossas vidas.

***

Parabéns ao Corinthians, pentacampeão brasileiro. Mostrou que um time que não é 100% habilidoso, porém muito eficiente, pode vencer a liga mais disputada do mundo.

Trabalho no vinhedo de Deganya.


Meu, Seu… Nosso?

27/11/2011

"Brosh HaMediná". Ao fundo, eucalipto de Deganya plantado em 1948 que possui a Declaração de Independência envolta em suas raízes.

As palavras que compõem o título deste artigo existem graças à mania humana de taxar todos os objetos, lugares e funções como sendo propriedade de alguém. De maneira nenhuma quero insinuar que estou contra o fato, apenas saliento que é isto o que causa os grandes conflitos entre as pessoas. A confusão entre o “compartir” e o “repartir”, bem como o ato de “roubar” são os maiores inimigos dos pronomes possessivos. Ninguém sabe exatamente onde está a minha honra, a sua liberdade ou o nosso último pedaço de chocolate. Não se confundam, sou um liberal. No entanto, a última semana em Deganya mostrou que a reflexão sobre o pertencimento de bens abstratos ou compartilhados pode gerar belas discussões.

Na última segunda-feira, após a tradicional manhã de projetos para a tnuá, recebemos a visita dos coordenadores mundiais do Hanoar Hatzioni. Tivemos uma atividade sobre a visão de Ecologia para o Movimento, já que o conceito está entre um dos cinco pilares de sua plataforma ideológica, o Darkeinu (“Nosso Caminho”). A mensagem transmitida foi a de que a Ecologia não é apenas um conjunto de ações em prol da preservação do meio ambiente, mas uma série de valores para atuar não só frente à natureza, mas também a outros seres humanos.

A segunda peulá baseou-se numa clássica discussão sobre quem seria o principal público-alvo das tnuót, se os chanichim (que são os protagonistas do processo educativo), ou os bogrim (que são o corpo ativista dos movimentos juvenis).  A discussão se expandiu para planos bem interessantes, como, por exemplo, se a tnuá trabalha segundo um modelo social – objetivando educar a todos de maneira idêntica –, ou liberal – centrando seus esforços na realização pessoal de cada formado. Este último tema, aliás, seguiu sendo tratado no final da semana.

O passeio da quinta-feira também foi ligado à ecologia. Realizamos uma volta ciclística pelo vale conhecido como Emek Hachula, ao norte do Kineret, para observar paisagens exuberantes e a grande onda de aves migratórias que se encontra na região. A única coisa que os madrichim permitiram que tirássemos da natureza foram fotos, afinal, ela só pertence a si mesma.

No mesmo dia, iniciou-se um seminário, que durou todo o final de semana, sobre Hagshamá Atzmit e Dugmá Ishit (Autorrealização e Exemplo Pessoal). A turma do Shnat do Hanoar Hatzioni do Hemisfério Norte esteve presente em Deganya para as atividades, trazendo jovens do México, Equador e El Salvador. A principal ideia que permeou as peulot foi a de como o jovem pode conciliar os objetivos individuais com o que a tnuá espera dele, mantendo uma postura de permanente exemplo para os mais novos.

Um evento interessante que nos espera ocorrerá nesta terça-feira, dia 29 de novembro, em Jerusalém. Será a comemoração dos 64 anos da Resolução 181 da ONU, conhecida como a Partilha da Palestina. À margem das divergências sobre a justiça ou não da divisão do território da Terra de Israel, o mote proposto pelos organizadores é festejar o fato de o mundo, em 1947, ter finalmente reconhecido o direito dos judeus a possuírem seu próprio Estado.

A semana foi intensa e cheia de pronomes possessivos. Como bom programa educativo das tnuot da Família Hanoar Hatzioni, deixou mais perguntas do que respostas, e uma única certeza. Podemos pretender-nos donos de uma infinidade de bens, exceto da Verdade.

***

Gostaria de aproveitar para desejar boa prova aos amigos que prestam o vestibular da Fuvest hoje. Que a sorte seja toda de vocês!


Vestir a Camisa

20/11/2011

Com amigos da Costa Rica na Universidade de Tel Aviv. 17/11/2011.

Assim que o vídeo terminou, sem que os deputados do Knesset deixassem a parlamentar defensora da Terceira Intifada discursar, o garoto saiu de seu lugar no círculo e sentou-se na cadeira posicionada bem no centro deste. Todos o miravam. Calmamente, ele deu sua opinião sobre o assunto, de forma muito bem fundamentada. “Agora”, disse o madrich, “vista a camiseta do Hanoar Hatzioni; e volte a discorrer sobre o que acabamos de ver, não como qualquer civil, mas como representante do Movimento! Sua opinião vai mudar?”.

Este foi um dos momentos da última atividade aplicada pelos nossos madrichim para o grupo do Hanoar nesta reta final de Shnat. Semanas antes de voltarmos para os nossos países de origem, este tem sido o tom das peulot: questionar-se quanto à coerência entre opinião pessoal e a ideologia defendida pelas nossas tnuot.

Outro momento interessante proporcionado pelo Hanoar foi a visita à tradicional Universidade de Tel Aviv e ao novo Instituto IDC Herzliya, na última quinta-feira. O passeio serviu para sanar dúvidas dos interessados em seguir seus estudos universitários em Israel e também para que conhecêssemos a maior instituição de ensino superior do país.

No entanto, os Shnateiros também fizeram sua programação independente no tempo livre. Na última sexta-feira, fomos a Kfar Tavor, um povoado judaico centenário localizado aos pés do monte de mesmo nome. A comunidade possui uma grande importância histórica, por ter sido o berço da organização de autodefesa Hashomer, em 1909, e o berço de figuras como Ytzhak Rabin e Ygal Alon. Além disso, dois dias antes, viajamos ao kibutz Beit HaShitah para comer um autêntico churrasco gaúcho com amigos da Chazit de Porto Alegre.

A programação até o final do Shnat já está definida. Permaneceremos em Deganya até o dia 07 de dezembro, sendo que a última semana será reservada para atividades de encerramento e feedback, e do dia 07 ao 11 estaremos em Jerusalém. No próximo final de semana, teremos, aqui no kibutz, um seminário com a turma do Shnat do Hanoar do Hemisfério Norte (iniciado no meio do ano).

Na Terra Prometida, os ventos começam a soprar mais frios. O Sol se recolhe mais cedo e triste, bem depressa. Parece que a natureza sabe que faltam apenas três semanas. Três shabatot. A conclusão dos últimos projetos.

As últimas compras sendo planejadas. A última visita ao shuk. A aquisição das últimas camisetas, e a escolha de quais delas vamos trajar na volta para casa. Vestiremos a camisa judaica? A sionista? A israelense?

Ainda não o sabemos com clareza. A única certeza possível, neste final de novembro, é de que, por cima da camiseta da tnuá ou de qualquer outra, haverá um pesado casaco para nos proteger do frio que vem trazendo o inverno solidário.